10.5.18

( ͡° ͜ʖ ͡°)

3.5.18

I II III

Stellaaaaaaaaaaaaaa

As melhores são as que gritam.

Stella Donnelly, Talking, em Thrush Metal (2018)

Lisbon Revisited

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

Álvaro de Campos

1.5.18

Contaminações, XIV



Lucky Star (1929) Frank Borzage // Asphalte (2015) Samuel Benchetrit

(Um homem supera o traumatismo que o vota a uma cadeira de rodas, com a qual não consegue deslocar-se naquele momento, conseguindo arrastar as pernas bambas pela cidade para ir ao encontro da amada, que já não acredita que apareça. No Lucky Star, é de cortar a respiração.)

19.4.18

Enquanto pestanejo freneticamente

Procuro o «Peças escolhidas 2» e o «Peças escolhidas 3», do Ibsen. Aceito empréstimos, faço promessas (de cuidar bem deles, de os devolver rápido, de peregrinações a Catarina [cada um com a sua Fátima]).

(◕‿◕✿)

Ecce Bombo (1978), Nanni Moretti

9.4.18

Lisboa, duas da manhã

Marty, Marty Toca os Blues (2018)

«se estivesses em queda livre, arranjarias certamente maneira de flutuar no ar»



I am going to make it through this year
If it kills me

8.4.18

-

© Will McPhail

Eco

John Gerrard, Western Flag (Spindletop, Texas), 2017

da exposição Eco-Visionários: Arte e Arquitetura após o Antropoceno, que inaugura dia 10 no MAAT.

My ass

Pessoas que não me gramam tratam-me por «minha querida». Estou a pensar concluir que, aliás, é assim que se vê.

Distúrbios

A pinça vai ficar para sempre a tentar apanhar o ponto de exclamação.

6.4.18

U ri Sunhi

via LMO.

I go to sleep

...and imagine that you're there with me 

(giro, o vídeo.)

31.3.18

Fashionista

Só tomo drogas que combinem; os médicos que me aturem.

Os meus sentimentos

No wonder why you’ve been buggering me
Cause this walk it’s a previous journey
And no wonder why the road seems so long
Cause I had done it all before
And I won

I’m sending my condolence
I’m sending my condolence to fear
I’m sending my condolence
I’m sending my condolence to insecurities

Agradeço ao Benjamin Clementine ter-me feito cantar em uníssono com o Campo Pequeno, repetidamente e cada vez mais alto: I’m sending my condolence to fear / I’m sending my condolence to insecurities (e não é por já ser costume que há-de perder significado).

Mais sorte que juízo

27.3.18

Nota de alta

Pormenor surrealista da nota de alta que me deram no hospital.
 

25.3.18

-

Quem não arrisca não erra, não se expõe
a que o vento lhe desmanche o penteado,
a cosmética das máximas mais firmes.
Este jovem, por exemplo, não arrisca,
veste de luto por si mesmo, num ensaio
de extinção. Ri-se dos passos que deixou
por tropeçar. Cada minuto em silêncio,
pensa ele, vale pelo menos seis dobrões
de serenidade. Sepultado até aos ossos
em palavras aprendidas, faz o encómio
da vida retirada, dos dentes de leite.
Escolheu o partido da solidão porque
a vida o assusta. Assusta-o a turbulência
do mal, a guinada sanguinária em que se
jogam os sucessos, os triunfos - a vida,
julga ele, é refractária à piedade. Fala-se,
na vida, muito alto, cometem-se rasteiras
e negaças por vontade. É de fugir
ou devorar, comenta ele aos seus botões.
E nada disso o apaixona. Não foi feito
para guerras nem angústias, desconfia
do amor e da fraqueza que nos une
como eles de corrente ameaçada.
Antes quer a sepultura dos libertos,
declarar-se à fantasia dos caídos
sem combate. E de tanto recuar,
não parece outro o seu destino.

José Miguel Silva, Erros Individuais, Relógio D'Água (vindo dali)

I've got a list of demands

I want my money back
I'm down here drowning in your fat
You got me on my knees
Praying for everything you lack
I ain't afraid of you
I'm just a victim of your fears
You cower in your tower
Praying that I'll disappear
I got another plan
One that requires me to stand
On the stage or in the street
Don't need no microphone or beat
And when you hear this song
If you ain't dead sing along
Bang and strum to these here drums
Till you get where you belong

I got a list of demands
Written on the palm of my hands
I ball my fist, you're gonna
Know where I stand
I'm living hand to mouth
You wanna be somebody? See somebody?
Try and free somebody?

I wrote a song for you today
While I was sitting in my room
I jumped up on my bed today
And I played it on a broom
I didn't think that it would be a song
That you would hear
But when I played it in my head
I made you reappear
I wrote a video for it
And I acted out each part
And then I took your picture out
And taped it to my heart
I've taped you to my heart, dear
I've taped you to my
Heart and if you pull away from me
You'll tear my life apart

I got a list of demands
Written on the palm of my hands
I ball my fist, you're gonna
Know where I stand
I'm living hand to mouth
You wanna be somebody? See somebody?
Try and free somebody?

Call the police
I'm strapped to the teeth
And liable to disregard
Your every belief
Call on the law
I'm fixin' to draw
A line between what is and seems
And call up a brawl

Call 'em right now
'Cause I'm about to go pow
I'm standing on the threshold
Of the ups and the downs
Call up a truce
Cause I'm about to bust loose
Protect ya neck 'cause son
I'm breaking out of my noose

I got a list of demands
Written on the palm of my hands
I ball my fist, you're gonna
Know where I stand
I'm living hand to mouth
You wanna be somebody? See somebody?
Try and free somebody?

18.3.18

Todas as interjeições do mundo

A Place In The Sun (1951), George Stevens

15.3.18

Terrible thing

People tell me: "Boy, you dodged a bullet!"
But if only it had hit me, then I'd know the peace it brings
.
Mind over matter; head over heart
Love's a terrible thing
.
Marlon Williams, Love Is A Terrible Thing, em Make Way For Love (2018)

12.3.18

Mãezinha!

(...) the films of wack job Darren Aronofsky have shown a dark passion for exploring twisted souls in torment. But nothing he’s done before to poison the ozone layer prepared me for mother!, an exercise in torture and hysteria so over the top that I didn’t know whether to scream or laugh out loud. Stealing ideas from Polanski, Fellini and Kubrick, he’s jerrybuilt an absurd Freudian nightmare that is more wet dream than bad dream, with the subtlety of a chainsaw. 

This delusional freak show is two hours of pretentious twaddle that tackles religion, paranoia, lust, rebellion, and a thirst for blood in a circus of grotesque debauchery to prove that being a woman requires emotional sacrifice and physical agony at the cost of everything else in life, including life itself. That may or may not be what Aronofsky had in mind, but it comes as close to a logical interpretation as any of the other lunk-headed ideas I’ve read or heard. The reviews, in which a group of equally pretentious critics frustratingly search for a deeper meaning, are even nuttier than the film itself. Using descriptions like “hermeneutic structure,” “phantasmagoric fantasia,” “cinematic Rorsach test” and “extended scream of existential rage,” they sure know how to leave you laughing.

E continua, tão divertido como até aqui.

¯\_(ツ)_/¯

© Paulo Pimenta, para o Público

A casa da Rua Raul Brandão onde o escritor terá nascido.